lunes, 28 de septiembre de 2009

Outros caminhos - Ajaiô, ultreia et suseia




Já havia percorrido uns 300 Km do Caminho de Santiago quando me belisquei e me dei conta de que eu era realmente um peregrino. E estar sob a "marca" do peregrino é como ter uma tatuagem na alma. Ninguém fica indiferente: vem de dentro pra fora e o feedback é instantâneo - As pessoas nos pueblos (sempre mais amáveis que nas grandes cidades) te cumprimentam, te animam a seguir, pedem recomendações ao santo, te desejam buen camino.

Cruzando a carretera na entrada da cidade de Nájera, por exemplo, tem uma casa em cuja parede o seu dono escreveu em sinal de boas vindas: "Peregrino en Nájera, nagerino!"; Na localidade de San Miguel del Camino, em Leon, o senhor Agapito López, monta diariamente diante da sua casa, uma mesa com frutas, água, snacks e outros mimos para os peregrinos. De maneira voluntária e gratuita.

Ser peregrino é ser portador e difusor da paz que todo mundo anda buscando.

A primeira vez que tive essa sensação foi no carnaval de 2006, o último que passei em Salvador antes de vir morar na Espanha. Naquele ano eu resolvi desacelerar meus BPM's já tão acostumados aos beats hipnóticos do psytrance e desfilei com os Filhos de Gandhy ( não sem dar uma aceleradinha com o Fatboy Slim).

O que mais me marcou nessa experiência era estar imerso numa paz profunda propiciada pelo rítmo ijexá como se eu flutura num chill out ambulante e também o carinho manifestado pelas gentes nas ruas, quase que me pedindo um abraço. Indiferentes a esse estranho fetiche que "os Gandhy" exercem sobre o público feminino e gay e da prática comum de trocar um colar de contas brancas e azuis por um beijo.

Carnaval de 2011 quero repetir a experiência.
Ajaiô!