domingo, 14 de junio de 2009

O Homem Aranha


Quando eu ainda era criança e vivia no Conde, apareceu para viver na cidade um senhor negro com seus 45 anos de vida que se chamava Marivaldo. Este senhor era um excelente carpinteiro e trabalhava na manutenção da escola que eu estudava. Seu Marivaldo era excelente em tudo, mas... enchia a cara de cachaça!!!!
Quando ele estava nesse estado de mente alterada ele se transformava no Homem Aranha: Não que vestisse nenhum disfarçe de lycra colado no corpo, nem que tivesse nenhum superpoder, nem fazia sair teias de aranha dos punhos. Tampouco sei porque tinha esse apelido. O certo é que quando tomava seu pileque, o Homem Aranha era a figura mais desejável da minha rua. Ele apareceia sempre com um violão e dedilhava suas cordas tão bem, e queria sempre um coro de crianças que o acompanhasse cantando "Se esta rua fosse minha" e... NOS PAGAVA POR ISSO!!!!!
O Homem Aranha foi o meu primeiro herói concreto, que de verdade existiu. Hoje em dia, com essa paranóia de pedofilia duvido que exista algum pai que permita a seus filh@s estar em contato com um homem embriagado e receber dinheiro dele.
Em tempo: Seu Marivaldo nunca na vida nos tocou.
Alguns anos mais tarde vi alguém que parecia ser o Homem Aranha morando como homeless numa marquise de um prédio da Avenida Carlos Gomes em Salvador.
Detalhe: Em cada lado do seu colchão, na sua "suite presidencial" haviam dois vasos com palmeiras, meio que para delimitar onde começava e acabava o seu reinado.

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