
Fazia um bom tempo que não consagrava a ayahuasca. Como estou me preparando pra fazer o Caminho de Santiago, achei que seria importante tomar o chá outra vez. O fiz no último sábado à noite. Apesar dos fatores externos (uma chuva incessante, com raios e trovões, uma tenda de campanha que gotejava e um frio que castigava o corpo). Confesso que senti pânico diante de uma situação tão adversa. Estávamos isolados numa montanha depois de um trekking violento há meia hora de caminhada desde a civilização e sob efeito do chá.
Com todos esses fatores, a borracheira tardou a chegar, porque a cabeça estava mais preocupada em sobreviver...
Enfim a chuva acabou, mas não o frio: e tínhamos nossas roupas enxarcadas e não havia como relaxar o corpo com todo esse desconforto.
Mas quando passou a chuva, a lua cheia se mostrou outra vez no firmamento, a borracheira chegou, e veio poderosa!Uma das viagens que tive era esse boneco constuido de Lego. O boneco era eu mesmo (Ego) e ele retirava peças de si e distribuía entre todos. Essa sacação de que o Lego era o Ego, me disse o meu amigo filósofo Nacho Guevara. E isso de se repartir é um ato bem meu de doar-me sempre, talvéz uma negação da própria existência em prol dos meus entes queridos. Negar a minha própria dor para sanar a dor do próximo. Isso é bom? Só o tempo dirá (ou não, como diria Caetano), mas o ato de doar-se requer cautela, como disse muito bem o meu colega de viagem Victor Hugo. Sábias palavras, cautela, juízo e canja de galinha não fazem mal a ninguém. "É nóis!"

ae VOX...massa a foto do lego...abraço...Felipe
ResponderEliminarA borracheira foi um mergulho, percebe? E, para quem esta pensando em fazer a viagem de volta, o mergulho precisava ser interno, profundo, reflexivo, ter sentido e significado.
ResponderEliminarPode não dar conta de tudo, nem conseguir ter um olhar concreto sobre tudo mas, MERGULHE!
Quero te lembrar uma "cosita":ao emergir, estaremos todos, à margem do SEU GRANDE RIO, esperando por vc. Com carinho, sempre.... Maria